Por Leonardo Oliveira Lopes Fernandes

Com o torneio expandido para 48 seleções e 104 jogos espalhados por três países, Estados Unidos, Canadá e México, a Copa do Mundo de 2026 está quebrando todos os recordes financeiros e já se consolidou como o maior motor econômico da história do futebol mundial. Recentes relatórios socioeconômicos da FIFA e da Organização Mundial do Comércio detalham a gigantesca movimentação de dinheiro no torneio deste ano.

No que se refere à macroeconomia, a competição projeta uma geração de US$ 80,1 bilhões em produção bruta global. Com isso, deve gerar um impacto no PIB mundial de US$ 41 bilhões e criar mais de 820 mil empregos. A FIFA prevê arrecadar mais de US$ 11 bilhões apenas neste ano. “Tudo o que geramos é reinvestido no setor”, afirmou Gianni Infantino, presidente da entidade, durante participação no Fórum Invest in America da CNBC, em Washington D.C., EUA.

Outro ponto são os gastos com turismo e experiência do torcedor. A expectativa de público nos estádios é de 6,52 milhões de pessoas. Desse grupo, estima-se que 40% seja composto exclusivamente por turistas internacionais. O setor de turismo absorve a maior fatia do consumo gerado pelo evento. Hotéis, alimentação e experiências locais devem movimentar cerca de US$ 7,5 bilhões. As 16 cidades-sede também precisaram abrir os cofres públicos. Foram investidos US$ 1,8 bilhão em infraestrutura de transporte local e operações de segurança.

Além disso, há um novo modelo de ingresso implementado pela FIFA nesta edição: preços dinâmicos. Essa estratégia faz com que o valor das entradas mude conforme a procura, gerando grande desproporção. Na fase de grupos, os bilhetes regulares variam de US$ 60 a US$ 620. No entanto, se o jogo envolve as seleções anfitriãs, o preço sobe e pode custar entre US$ 75 e US$ 2.735. Vale ressaltar que os pacotes de hospitalidade VIP também têm valores exorbitantes. As séries por estádio, que dão direito a todos os jogos de uma sede, chegam a ultrapassar US$ 73 mil por pessoa.

Quanto ao transporte e custos de logística das seleções, a sede tripla de proporções continentais exigiu uma operação logística sem precedentes. O deslocamento entre os três países é um dos pontos que mais consome recursos. Do orçamento operacional da FIFA, a maior fatia foi para as delegações. Cerca de US$ 810 milhões foram alocados exclusivamente para serviços das seleções. Esse montante milionário cobre uma infraestrutura de alto padrão que inclui hospedagem de luxo, voos fretados domésticos, suporte técnico e esquemas de segurança.